Seguradoras X Insurtechs: concorrentes ou aliadas?

Atualmente o setor de Seguros vem enfrentando uma série de novas tendências. E no período pós-pandemia, certamente só as empresas que realmente entenderem que vivemos novos tempos, novas tecnologias, novos comportamentos de consumidores e, principalmente, novos entrantes – como as insurtechs, que já nascem com um pacote atualizado, flexível e pronto para essa nova era – terão mais chances de prosperar.

Já aos negócios que insistirem em manter padrões até então nunca postos em xeque-mate, e que passarão ser cada vez mais expostos a situações adversas em termos de concorrência, agilidade, tecnologia e mudança comportamental do consumidor, diria que o tempo é curto. Portanto, é preciso agir agora.

Quando converso com executivos do setor, alguns dizem que as grandes corporações podem se dar ao luxo de, se necessário, adquirir, financiar ou até se aliar com uma insurtech caso faça sentido. Sim, é verdade que num tempo não tão distante as seguradoras tradicionais começaram a prestar muito mais atenção aos recém-chegados e reconheceram que a parceria com empresas de tecnologia pode ser um divisor de águas.

Porém, a realidade é que muitas, se não a maioria, dessas relações comerciais não atendem às expectativas. Quando as seguradoras recorrem às insurtechs pelos motivos errados, ou sem um plano claro e sustentável para extrair valor, elas falham.

Antigamente, o que costumava ser um sinal de sucesso, hoje pode não ser mais. Os compradores não necessariamente correlacionam “tamanho” com confiança ou estabilidade como antes. E embora as grandes organizações não precisem ser mais burocráticas do que as empresas menores, elas geralmente são. 

Da mesma forma, se as seguradoras não forem cuidadosas ao se associarem às insurtechs, seu tamanho e, muitas vezes, uma cultura mais impassível podem realmente destruir o valor buscado nessa parceria.

Lembremo-nos, também, que anos atrás as seguradoras olhavam as insurtechs como uma ameaça competitiva e disruptiva. Agora, eles tendem a enxergá-las como uma oportunidade de crescimento. 

A verdade é que as seguradoras tradicionais precisam acelerar sua transformação digital, investindo em tecnologia adicional como análise de dados de clientes e tecnologia para integração de aplicações móveis, sites e call centers, entre outros serviços, por exemplo.

Além disso, cabe considerar a parceria com uma empresa insurtech (ou com uma seguradora, no caso de uma empresa não tradicional) como uma oportunidade de terceirizar a inovação.

Talvez o discurso mais ouvido hoje seja “somos burocráticos demais para inovar rapidamente, mas podemos nos unir a outras pessoas que façam isso bem”. Esse raciocínio funciona até certo ponto. Mas uma empresa diversificada, normalmente, tem uma boa quantidade de sobreposição.

Sem um programa de governança eficaz, iniciativas de inovação se tornam ineficientes. Considere uma empresa com equipes em sinistros, subscrição, seguro automóvel e residencial, todas olhando para oportunidades de inovação e todas examinando o cenário das insurtechs. Quais são as chances de que elas se alinhem por trás de uma abordagem comum e coerente?

No entanto, a mudança necessária não é simplesmente adicionar tecnologias. No contexto atual, os operadores tradicionais também devem evoluir seu modelo de negócio. Eles devem transformá-lo para ser mais ágil, digital e focado no cliente. E devem fazê-lo em sintonia com as novas realidades sociais e as necessidades do mercado.

Segundo pesquisa sobre o planejamento previsto por líderes de empresas de Seguros para impulsionar o crescimento nos próximos meses, divulgada na 24ª Pesquisa Anual Global de CEOs da PwC, 34% dos entrevistados consideraram formar uma nova aliança estratégica ou joint venture, 32% disseram que iriam buscar novas fusões e aquisições e 28% que iriam colaborar com empreendedores ou startups.

E você, ainda considera as insurtechs um ameaça competitiva e disruptiva ou uma oportunidade de crescimento?

 

Flávio Ferreira é especialista em desenvolvimento de negócios e responsável pela vertical de Seguros na Softtek Brasil.

 

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