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Softtek Blog

Saúde em 2026: por que a tecnologia deixou de ser uma escolha

Autor
Author Sofftek - Brasil
Publicado em:
abr 7, 2026
Tempo de leitura:
abr 2026
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*Por Diego Pereyra, Healthcare Global Director na Softtek.

O setor de saúde atravessa um dos períodos mais desafiadores e, ao mesmo tempo, mais interessantes de sua história recente. Olhando para 2026, a combinação entre pressão econômica, escassez de mão de obra, expectativas crescentes dos pacientes e avanços acelerados das tecnologias digitais impõe uma reformulação profunda do sistema. Inovar de forma pontual já não é suficiente. A transformação digital passa a ser estrutural.

Nesse sentido, a discussão deixou de ser sobre quais tecnologias adotar e passou a se concentrar em por que elas devem ser adotadas. A pergunta central é simples, mas profunda: como utilizar a tecnologia para tornar sustentável um sistema que se torna cada vez mais caro e complexo?

Os números ajudam a dimensionar esse desafio. Relatórios recentes indicam um aumento contínuo dos custos em saúde. Segundo a EY, os prêmios de seguro saúde devem crescer entre 6% e 9% em 2026, podendo chegar a níveis próximos de 11% para pequenas empresas. Esse cenário afeta diretamente pacientes, empregadores, seguradoras e os próprios sistemas de saúde. Pressões estruturais como o envelhecimento da população, a maior prevalência de doenças crônicas, a escassez de mão de obra, a inflação médica e as ineficiências operacionais fazem com que a eficiência deixe de ser apenas um objetivo desejável e passe a ser uma condição para a sobrevivência do setor.

É nesse contexto que a Inteligência Artificial (IA) ganha protagonismo. Embora seja frequentemente apresentada como a grande promessa da transformação digital, a realidade atual da adoção exige uma análise mais pragmática. De acordo com a Deloitte, cerca de 30% das organizações de saúde já utilizam soluções de IA de ponta em áreas específicas, mas apenas 2% conseguiram implementá-las de forma integrada em toda a empresa. A adoção começou, mas o impacto em escala ainda está em construção.

Ainda assim, as expectativas são elevadas. Cerca de 64% das organizações acreditam que a IA pode reduzir custos por meio da automação administrativa e da padronização dos fluxos de trabalho. Além disso, 5% consideram especialmente relevantes as oportunidades de economia geradas pela otimização da força de trabalho, em um cenário marcado pelo esgotamento profissional e pela escassez de talentos. A IA deixou de ser experimental. O seu valor, no entanto, depende diretamente da capacidade de integração aos processos existentes, e não da multiplicação de projetos-piloto isolados.

Do ponto de vista macroeconômico, a dimensão da oportunidade é expressiva. A Deloitte estima que o mercado global de IA aplicada à saúde crescerá de US$39 bilhões em 2025 para mais de US$500 bilhões em 2032. Esse avanço não é impulsionado apenas pelo entusiasmo tecnológico, mas por uma necessidade concreta de transformar a forma como o cuidado é prestado e gerenciado.

A BCG reforça essa percepção ao apontar que quase 25% das empresas biofarmacêuticas e cerca de 10% das empresas de tecnologia médica já registram reduções de custos ou aumentos de receita de pelo menos 5% graças ao uso de IA de ponta. Embora esses resultados ainda estejam concentrados entre os pioneiros, eles demonstram que o impacto econômico da tecnologia é real, mensurável e crescente.

No entanto, a tecnologia, por si só, não é suficiente. Como destaca a McKinsey, a transformação acontece quando as soluções digitais são combinadas a um redesenho profundo dos modelos operacionais e de prestação de cuidados. Atendimento virtual, monitoramento remoto, automação administrativa e análises avançadas de dados contribuem para reduzir consultas desnecessárias, melhorar a continuidade do cuidado e diminuir custos associados a ineficiências históricas. Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser um projeto e passa a ser infraestrutura.

Essa mudança exige também uma transformação cultural. A tecnologia precisa ser tratada como parte essencial do desenho organizacional, e não como um complemento. À medida que avançamos em 2026, um dos usos mais práticos e impactantes da IA é seu papel como copiloto clínico e operacional. Segundo a Wolters Kluwer, as soluções mais maduras não têm como objetivo substituir profissionais de saúde, mas apoiá-los em tarefas de alto volume e baixo valor clínico, como documentação automatizada, identificação de lacunas no atendimento, suporte à decisão baseado em evidências e redução da carga administrativa.

O impacto econômico dessas aplicações é indireto, porém profundo. Menos erros, mais tempo dedicado ao cuidado e maior produtividade profissional se tornam diferenciais em um setor que enfrenta escassez crônica de talentos. Liberar os profissionais de atividades de baixo valor é uma das formas mais eficazes de melhorar o desempenho sem comprometer a qualidade do atendimento.

Há ainda um ponto frequentemente subestimado nesse debate: o custo da inação. A Deloitte alerta que, se o setor não se adaptar às expectativas dos consumidores em relação à acessibilidade, experiência digital e eficiência, os sistemas de saúde poderão perder até US$54,5 bilhões em receita. Já o setor biofarmacêutico pode deixar de capturar mais de US$114 bilhões em crescimento ao longo da próxima década. Em outras palavras, não se transformar pode sair mais caro do que investir na transformação.

Ao entrarmos em 2026, o maior desafio não é mais lançar projetos-piloto, mas sim escalar soluções que já comprovaram seu valor. A fase de experimentação deu lugar à necessidade de implementação sistêmica. As organizações que conseguirem fazer essa transição de forma eficaz não apenas sobreviverão às pressões atuais, mas também estarão posicionadas para liderar o futuro do setor. A tecnologia deixou de ser opcional. Ela é, agora, a base sobre a qual se constrói um sistema de saúde sustentável, eficiente e centrado no paciente.

 

 

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